Conciliação financeira de marketplace no Protheus: por que o fechamento ainda depende de planilhas

Vender em marketplace gera um pedido. No entanto, o valor que chega à empresa não corresponde simplesmente ao total daquela venda.

Entre o faturamento e o repasse, o marketplace pode descontar comissão, tarifa fixa, frete, subsídio, antecipação e outros ajustes. Além disso, devoluções e cancelamentos também alteram o valor final.

Um único repasse pode reunir valores de várias vendas. Da mesma forma, uma venda pode gerar efeitos financeiros em momentos diferentes.

Quando essas informações não chegam ao TOTVS Protheus de forma estruturada, a equipe financeira precisa reconstruir o caminho do dinheiro em planilhas.

Primeiro, a equipe exporta os relatórios do marketplace. Depois, procura os títulos no ERP. Por fim, realiza conferências manuais para decidir quanto baixar, qual diferença justificar e o que ainda exige investigação.

Portanto, o problema não envolve apenas o tempo gasto no fechamento. A principal dificuldade está em manter a rastreabilidade entre a venda, os descontos, o repasse e a baixa no contas a receber.

Conciliação de marketplace não é apenas conferir o depósito bancário

Verificar se o valor entrou na conta representa uma etapa importante. Contudo, essa conferência não explica como o marketplace compôs o recebimento.

Na prática, a conciliação precisa responder a perguntas mais específicas:

  • Quais vendas compõem o repasse?
  • Quais tarifas e custos o marketplace descontou?
  • Houve devoluções, cancelamentos ou ajustes?
  • Qual valor líquido pertence a cada venda?
  • Quais títulos correspondentes existem no Protheus?
  • Quais títulos podem receber a baixa?
  • Quais diferenças exigem análise?
  • Quais informações precisam permanecer registradas para auditoria?

Sem esse encadeamento, o depósito pode estar correto no banco. Ainda assim, o contas a receber pode continuar desalinhado no ERP.

Por que a planilha aparece no fechamento

Normalmente, a planilha surge para preencher uma lacuna entre dois modelos de informação.

De um lado, o marketplace organiza o financeiro a partir de vendas, transações, custos, ajustes e repasses. Do outro, o Protheus organiza o contas a receber por títulos, parcelas, clientes, vencimentos, saldos e baixas.

Para fechar o período, alguém precisa relacionar esses dois universos.

Quando a empresa não possui uma integração financeira dedicada, a equipe cria colunas, fórmulas e regras próprias para:

  1. identificar a venda;
  2. localizar o título no Protheus;
  3. decompor o valor bruto e os descontos;
  4. vincular a venda ao repasse;
  5. calcular o valor líquido;
  6. registrar ou preparar a baixa;
  7. separar as exceções para conferência.

A planilha pode funcionar enquanto a equipe administra um volume pequeno e poucas pessoas dominam as regras.

Entretanto, quando a operação cresce, a planilha passa a concentrar decisões críticas. Nesse cenário, a empresa perde controle de versão, trilha de processamento e consistência no tratamento das exceções.

Os quatro pontos que precisam estar ligados

1. Venda e título no Protheus

O primeiro vínculo conecta a venda realizada no marketplace ao título que representa o recebimento no ERP.

Esse vínculo não deve depender apenas do valor e da data. Afinal, duas vendas podem apresentar o mesmo valor. Além disso, o pagamento pode ocorrer em uma data diferente da previsão inicial.

Por isso, a operação precisa preservar identificadores que relacionem pedido, documento fiscal, parcela ou título e transação financeira.

Sem essa referência, a equipe inicia a conciliação por aproximação. Como consequência, cada exceção exige uma busca manual.

A empresa também precisa definir como tratar situações em que o título ainda não existe, sofreu alguma alteração, já recebeu uma baixa ou apresenta um saldo diferente do esperado.

2. Tarifas, custos e ajustes

O valor bruto da venda nem sempre corresponde ao valor líquido que a empresa receberá.

Comissões, tarifas fixas, custos de envio, subsídios, descontos e outros ajustes alteram o repasse. Portanto, a conciliação precisa identificar cada componente separadamente.

Essa separação explica por que o valor repassado difere do valor faturado. Além disso, ela permite aplicar o tratamento financeiro e contábil que a empresa definiu.

Quando a equipe agrupa todas as diferenças em uma coluna chamada “taxas”, perde capacidade de análise. Nesse caso, ninguém consegue identificar com clareza qual custo aumentou, qual regra mudou ou qual divergência representa um erro real.

Por exemplo, a documentação de conciliações do Mercado Livre separa as informações por período, grupo de faturamento, unidade de negócio e tipo de documento.

Essa estrutura reforça um ponto importante: a integração precisa trabalhar com a composição do valor, e não apenas com o líquido final.

3. Repasse

O repasse consolida os valores que o marketplace pagará ao vendedor. Porém, ele não substitui o vínculo com as vendas que originaram aquele pagamento.

O identificador do repasse e o identificador da venda cumprem funções diferentes. Por isso, a operação precisa permitir a consulta nos dois sentidos:

  • do repasse para as vendas, tarifas e ajustes que formam sua composição;
  • da venda para o repasse que realizou sua liquidação.

Dessa forma, a equipe consegue responder às dúvidas do fechamento, investigar valores ausentes e explicar por que determinada venda aparece em um período diferente daquele em que ocorreu o faturamento.

Se a empresa registra apenas o total do repasse, o saldo bancário pode fechar. Ainda assim, a carteira do Protheus continuará sem uma relação confiável com as transações do marketplace.

4. Baixa no contas a receber

A baixa representa o reflexo final da conciliação no Protheus. Portanto, ela não deve iniciar o processo.

Antes de baixar um título, a rotina precisa identificar:

  • qual venda passou pela conciliação;
  • qual valor líquido deve ser reconhecido;
  • como a equipe classificou as diferenças;
  • se existe alguma exceção pendente.

O Protheus permite trabalhar com títulos de contas a receber e com rotinas de baixa e compensação. Assim, a integração financeira precisa respeitar a estrutura que a empresa adotou.

Além disso, a rotina não deve apagar uma divergência apenas para que o fechamento “bata”.

Uma automação confiável também precisa apresentar o resultado de cada processamento:

  • título localizado e conciliado;
  • baixa concluída;
  • diferença dentro da regra definida;
  • venda ou repasse sem correspondência;
  • título inexistente ou já baixado;
  • evento separado para análise humana.

Em outras palavras, automatizar não significa forçar a baixa em todos os casos. A automação deve aplicar regras conhecidas aos cenários previstos e encaminhar as exceções com informações suficientes para a decisão.

O custo operacional da conciliação manual

Quando o fechamento depende de planilhas, diferentes áreas sentem o impacto.

Financeiro

A equipe financeira gasta tempo reunindo arquivos, corrigindo fórmulas, procurando vendas e justificando diferenças.

Além disso, o fechamento passa a depender das pessoas que conhecem a lógica da planilha.

Controladoria

A controladoria recebe diferenças consolidadas, mas nem sempre encontra detalhes suficientes para explicar a origem de cada valor.

Consequentemente, a equipe deixa de validar o processo e passa a reconstruí-lo.

Operações e e-commerce

Cancelamentos, devoluções, subsídios e alterações comerciais afetam o resultado financeiro.

No entanto, quando os sistemas não mantêm os vínculos, as equipes precisam esclarecer esses eventos fora do fluxo. Muitas vezes, elas só participam quando a divergência já apareceu no fechamento.

TI

A TI recebe solicitações pontuais para localizar uma venda, extrair um campo, ajustar uma rotina ou explicar por que o Protheus não baixou determinado título.

Sem um fluxo estruturado, cada mudança do marketplace cria uma nova dependência técnica.

O que revisar antes de automatizar

Antes de integrar a conciliação financeira ao Protheus, a empresa precisa mapear:

  • quais marketplaces e contas entrarão no escopo;
  • como cada venda gera um título no ERP;
  • quais identificadores o pedido, a nota e o financeiro preservam;
  • quais tarifas e ajustes exigem classificação;
  • como devoluções e cancelamentos afetam o recebimento;
  • quais regras permitem a baixa automática;
  • quais diferenças exigem análise humana;
  • como reprocessar falhas sem duplicar baixas;
  • quais relatórios e registros apoiarão a auditoria;
  • quem responderá por cada tipo de exceção.

Esse desenho evita que a empresa apenas automatize uma planilha sem revisar as decisões escondidas dentro dela.

Como funciona o fluxo com o Conector de Conciliação Financeira

Na solução da Project.ti, o Koncili atua como intermediário da conciliação. Em seguida, o conector leva o resultado do processo ao Protheus e automatiza a baixa de contas a receber conforme as regras da operação.

O objetivo é reduzir a dependência de conferências paralelas e manter o resultado financeiro dentro do ERP.

Contudo, a integração não elimina a necessidade de regras, cadastros e validação das exceções. Pelo contrário, a empresa precisa definir com clareza quando o sistema pode executar uma baixa e quando o evento deve permanecer pendente para análise.

Assim, o fechamento deixa de funcionar como uma reconstrução manual e passa a seguir um processo rastreável.

O fluxo identifica a venda, concilia os efeitos financeiros, localiza o título correspondente e registra o resultado da baixa no Protheus.

A planilha é um sintoma, não a causa

Se a equipe precisa exportar relatórios e refazer os vínculos a cada fechamento, a dificuldade não está apenas na ferramenta.

Na verdade, o problema está na falta de continuidade entre venda, tarifas, repasse e contas a receber.

Uma conciliação integrada não deve importar somente o total que o marketplace pagou. Ela precisa preservar o caminho que explica cada valor e aplicar o resultado no ERP sem perder as exceções.

Sua empresa usa Protheus e ainda depende de planilhas para conciliar marketplaces e baixar títulos?

Converse com a Project.ti sobre a integração da conciliação financeira.

Observação editorial

Os eventos, as tarifas e as regras variam conforme o marketplace, o contrato e a configuração da operação. Por isso, as equipes financeira, contábil e de TI devem validar o desenho da integração e das baixas.

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Fontes para validação técnica

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